Gestão Ágil ou Tradicional?

Posicionamento de pensamento

Posicionamento de pensamento

Desde 2001, quando efetivamente tive que começar a trabalhar com projetos literalmente assim chamados, que venho estudando as ferramentas e habilidades necessárias para exercer a função de Gerente de Projetos. Notadamente muitas são as exigências e pressões em cima daquele que é responsável em fazer os objetivos dos projetos serem alcançados, prazo, custo, escopo, etc. tudo deve ocorrer com o menor desvio possível, tudo deve estar devidamente funcionando, tudo deve ser feito e realizado de acordo com os objetivos da diretoria. Muito bem, dito assim parece que o GP, como carinhosamente (ou não!) são chamados os profissionais que se enquadram nessa missão, tem uma missão fácil ou de caminhos definidos, ledo engano, tortuosas são as possibilidades de acertos e erros e a negociação de conflitos acaba tomando grande parte do esforço desses profissionais.

Mesmo já existindo a certo tempo, tenho notado que nos últimos 6 anos a discussão de métodos ágeis e métodos tradicionais tem colocado uma pitada a mais de pressão e exigência de habilidade do GP, mas que vem a ser métodos ágeis x tradicionais?

Para conceituar método ágil vamos voltar à 2001 (coincidentemente quando comecei a saber que o que fazia era gerir projetos) um grupo de pessoas reunidas em uma montanha resolveu que iria revolucionar o mundo e daí surgiu o Manifesto Ágil, um documento tratando de 4 valores e 12 princípios, que em sua essência foi realmente uma evolução, mas do meu ponto de vista foi meio que institucionalizar a anarquia no desenvolvimento de software.

Método Tradicional, que por sinal não concordo com a denominação, é um eufemismo para método conservador ou ainda método lento, em muitas palestras já ouvi chamando de métodos lentos, geralmente os frameworks de gestão de projetos mais antigos como o PMBOK.

Explicados o significado de cada um deles vamos ao ponto que quero chegar. Tenho participado de muitos congressos e ouço as pessoas falando, ou pregando (alias como verdadeiros evangelizadores) que os métodos ágeis são a melhor maravilha do mundo da gestão do projetos, porém em sua essência vários deles, dos palestrantes, já caíram em si de que não dá pra viver apenas de métodos ágeis, de deixar documentação de lado, de não seguir padrões de documentação e registro de atividades etc, pois o que seria de um software que funciona lindamente, mas apenas na cabeça de seus criadores, quero dizer, sem documento suficiente para que os usuários possam ser treinados e possam usar como consulta para suas dúvidas? Oras, a Microsoft gasta milhões em equipes de desenvolvimento que tentam deixar os softwares delas o mais intuitivos possíveis, mas mesmo assim ela precisa rechear seus HELPS, de forma que um usuário possa pressiona um “F1” e consultar alguma coisa neles. Então em sua essência, desenvolver usando apenas post-it como documentação não funciona comercialmente falando. Na contrapartida os métodos ditos tradicionais, onde os passos, planejamento e documentação muitas vezes são realmente excessivos, mas grande parte fruto de mal planejamento e/ou gestão, preenchem muito bem esses requisitos de documentação e lições aprendidas para uma evolução forte e coerente.

Em tempos de adaptação mundial às crises locais e recessões mundiais, a junção, concatenação ou aproveitamento do melhor dos dois mundos é de extrema importância, então no último congresso de gerenciamento de projetos que participei, e esse foi em Porto Alegre, todos são unânimes em falar que os métodos híbridos são a melhor solução de uso de ferramentas, como um técnico que vai consertar sua TV por assinatura em casa e leva uma caixa de ferramentas, um GP precisa ter a sua caixa de ferramentas e então usar o melhor do SCRUM, do XP, do PMBOK, do Prince2, etc e usar de acordo com a necessidade e/ou adequação do projeto a ser gerido.

Portanto o movimento ideológico de uma suposta guerra entre Ágil x Tradicional, não cabe mais e deixemos de caso “e cuidemos da vida pois quando

chega a morte ou coisa parecida nos arrasta moço sem ter visto a vida”.

Reginaldo Guimarães
GP Agile-Tradicional-Anarquico-Misto

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